Os campeões da violência

13/12/2012 - 13:40 |

 

REDAÇÃO

Itabuna, no Sul da Bahia, lidera o ranking dos municípios onde ocorrem mais homicídios de adolescentes no país. A cidade registra 10,59 homicídios em cada grupo de mil jovens. Entre os dez primeiros lugares do ranking estão outras quatro cidades baianas: Salvador , com 8,76; Feira de Santana, com 8,39; e Vitória da Conquista, com 8,13 .

No Brasil, segundo o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), três adolescentes a cada grupo de mil morrem antes de completar 19 anos. A taxa cresceu 14% de 2009 para 2010. A estimativa, se não houver queda no índice nos próximos anos, é que 36.735 jovens de 12 a 18 anos sejam mortos no país, possivelmente por arma de fogo, até 2016. A maioria das vítimas é homem e negro.

Calculado pelo Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o IHA passou de 2,61 mortes por grupo de mil jovens para 2,98. Os dados, referentes a municípios com mais de 100 mil habitantes, foram divulgados nesta quinta (13) pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e pela organização não governamental Observatório de Favelas, no Rio de Janeiro.

Mortes precoces - Com base em indicadores do Ministério da Saúde de 2010, o LAV constatou que o homicídio é a principal causa de morte dos adolescentes e equivale a 45,2% do total de óbitos nessa faixa etária. Na população geral, as mortes por homicídios representam 5,1% dos casos. O dado inclui mortes em conflito com a polícia, conhecidas como auto de resistência.

“Continua o contraste entre a tendência de redução dos homicídios na população brasileira, em geral e o aumento dos homicídios contra os adolescentes”, destacou o coordenador do estudo, o sociólogo Ignácio Cano. Segundo ele, o cenário é de extrema vulnerabilidade para jovens expostos a uma maior incidência de mortes precoces e violentas.

Alguns fatores, como gênero e raça, aumentam a possibilidade de um jovem ser morto. Em 2010, a chance de um adolescente do sexo masculino ser assassinado era 11,5 vezes maior que a de jovens do sexo feminino. Se o indivíduo for preto ou pardo, a possibilidade aumenta quase três vezes em relação ao branco.

Nordeste lidera - Entre as regiões, correm mais risco os jovens do Nordeste, onde o IHA é 4,93, bem superior ao nacional (2,98). Estima-se que, entre 2010 e 2016, ocorram 13.094 assassinatos de adolescentes na região. O Norte (3,62) está em segundo lugar, seguido do Sul (3,19). Já o Sudeste tem a menor a taxa (2,01), mas a maior população, o que pode significar 12.475 jovens mortos no período.

Realizado em 283 municípios com mais de 100 mil habitantes, o levantamento mostra que as cidades com o IHA mais alto estão concentradas nos estados de Alagoas (9,07), da Bahia (7,86) e do Espírito Santo (6,54), que também estavam no topo do ranking em 2009. O menor índice foi identificado em São Paulo (0,94), cuja capital também é a menos letal para adolescentes.

“O Nordeste se consolida como maior polo de preocupação no país, sendo que Maceió e Salvador, por serem as capitais mais violentas, causam a maior preocupação”, destacou Ignácio Cano.

 

Índice de Homicídio de Adolescentes em municípios com mais de 200 mil habitantes
Posição Município UF IHA 2010 Número total esperado de mortes entre 12 e 18 anos (2010 a 2016)
1 Itabuna BA 10,59 261
2 Maceió AL 10,15 1.214
3 Serra ES 8,92 452
4 Ananindeua PA 8,89 566
5 Salvador BA 8,76 2.613
6 Feira de Santana BA 8,39 585
7 Vitória da Conquista BA 8,13 313
8 Vitória ES 8,04 275
9 Foz do Iguaçu PR 7,83 273
10 Marabá PA 7,39 254

 

Com informações da Agência Brasil.

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