Jurista defende impeachment

30/03/2016 - 18:35 |

 

REDAÇÃO

Foto: Reprodução

O jurista Miguel Reale Júnior, coautor do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, foi ouvido, na tarde desta quarta-feira (30), pela comissão que analisa o processo na Câmara dos Deputados. Reale foi convocado para esclarecer detalhes do pedido, que assinou em companhia de Hélio Bicudo e Janaína Paschoal.

Falando em meio a gritos de “fora, Dilma!” e “impeachment já!”, por parte dos deputados da oposição ao governo, o jurista afirmou que o pedido tem como base análises feitas por ele acerca dos atrasos nos repasses aos bancos estatais, as chamadas “pedaladas fiscais”, e a edição de artigos para suplementação de verbas sem passar pela verificação do Congresso.

“Fiquei espantado com as pedaladas. Alguns podem imaginar que se trata de um crime menor, mas elas constituem um crime, e um crime grave”, afirma Reale Júnior, que considera o movimento do governo como uma forma de esconder o déficit fiscal.

Irresponsabilidade - Segundo Reale, por conta das pedaladas a União foi levada a contrair dívidas com instituições financeiras do próprio Estado, ação vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Para o jurista, esse tipo de prática  ”produz consequências gravíssimas para o país, especialmente para as classes mais pobres”.

“O governo se valeu de um ‘cheque especial’, empurrando para frente uma imensa dívida, que só em relação às pedaladas fiscais alcançaram R$ 40 bilhões”, continua Reale Júnior.

De acordo com o jurista, de repente a sociedade percebeu que o Estado estava falido. “A consequência foi a emissão de títulos, aumento do juros, levando a um processo inflacionário, redução da atividade econômica. Sequestraram a nossa esperança”.

Miguel Reale afirmou estar denunciando um crime no pedido de impeachment. “O crime não é apenas colocar a mão no bolso do outro e tirar dinheiro. Crime aqui é eliminar as condições de esse país ter algum desenvolvimento”, lamentou Miguel Reale Júnior.

No início da sessão, parlamentares da base do governo tentaram tumultuar a sessão, a fim de impedir a fala do jurista, mas os ânimos foram contidos pelo deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da comissão, pedindo educação e sugerindo que todos os deputados se sentassem a fim de ouvir Reale Júnior.

 

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