Conflito à beira mar

18/12/2012 - 0:07 |

 

REDAÇÃO

Foto: Bahia Toda Hora

Cercado de problemas burocráticos que vão da falta de pagamento de IPTU ao embargo da reforma pela Justiça, o Aeroclube Shopping deixou de ser o charmoso centro de compras aberto à beira mar para se transformar em símbolo do abandono da capital baiana. A solução para o problema foi aprovada pela Câmara de Vereadores, na semana passada, com a prorrogação do prazo de concessão da área ao Consórcio Parques Urbanos. A decisão do Legislativo reacendeu a polêmica sobre os limites entre o interesse público e o privado.

Inaugurado em 1999, com 140 lojas, o Aeroclube Shopping está em ruínas. Em 2008, um ano depois de a prefeitura perdoar  uma dívida de R$ 35 milhões referente a cinco anos de inadimplência do aluguel,  a Justiça acatou ação popular e embargou as obras de reforma do Aeroclube, que previa a construção de um parque público e uma passarela, ligando o bairro da Boca do Rio ao shopping.

Em 2011, o impasse judicial foi superado, mas o consórcio alegou ter sofrido um milionário prejuízo com as paralisações judiciais e pleiteou a concessão até 2056, para assegurar perspectivas a um novo empreendimento ali.

Vereadores de oposição (Gilmar Santiago, Aladilce Souza, Vânia Galão, Marta Rodrigues, Andrea Mendonça, Olívia Santana) votaram contra e reagem à concessão aprovada no apagar das luzes da atual administração.

Diante da polêmica, o Aeroclube Shopping distribuiu nota sobre o assunto, nesta segunda (17).

Leia a íntegra da nota:

“O Aeroclube Shopping & Office informa que o prazo de prorrogação da concessão de uso da área do empreendimento foi definido em função dos prejuízos (cerca de R$150 milhões), sofridos durante os anos de embargo da obra de qualificação.

Vale ressaltar que a negociação do prazo de concessão da área é fruto de um estudo técnico e criterioso realizado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), assessorada pela Deloitte,  uma das três maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo, contratada pela Prefeitura de Salvador para a análise do caso.

Tal estudo visou restabelecer o equilíbrio econômico/financeiro do contrato administrativo entre a Prefeitura e o Consórcio. A Fundação e a Deloitte entenderam que o reajuste do prazo de concessão é importante para que os empreendedores façam o investimento necessário na revitalização do empreendimento, reestabelecendo na capital baiana um moderno equipamento de lazer que sempre foi modelo no país.

Em contrapartida, o shopping se responsabiliza pela construção da passarela da Boca do Rio e do Parque do Vento, no terreno ao lado do shopping, obra que também precisou ser paralisada enquanto o embargo era vigente.

Com projeto arquitetônico assinado pela renomada arquiteta e paisagista Rosa Kliass, o Parque será uma área de lazer pública para os soteropolitanos e fará da orla da Boca do Rio um dos trechos mais bonitos da capital. Além disso, sete mil empregos serão gerados com a revitalização do empreendimento, beneficiando a comunidade da Boca do Rio”.

 

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