Viabilidade e importância do BRT para Salvador

13/06/2011 - 19:04 |

 

JORGE JAMBEIRO*

 O arquiteto Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, ex-governador do Paraná, e recentemente considerado um dos 25 pensadores mais influentes do mundo pela revista americana Time, citou numa das suas inúmeras conferências sobre a questão da mobilidade urbana nas cidades brasileiras: “Não existe um sistema ideal. O BRT é o mais barato e de implantação mais fácil. O segredo é jamais tentar competir modais. Eles devem ser complementares e integrados”.
Penso da mesma forma quando reflito sobre os problemas de mobilidade e acessibilidade em nossa cidade. O que será melhor e mais importante para Salvador? São anos de estudos e indecisões em torno da melhor alternativa para o transporte coletivo da capital. São milhares de soteropolitanos frustrados durante todos esses anos por não presenciarem a expansão do metrô, nem contemplados com o mínimo necessário para a melhoria na sua mobilidade.

Enquanto isso, carros não param de inchar o trânsito da cidade. O governo federal, por outro lado, direciona para o corte de verbas orçamentárias, reduzindo a capacidade de investimentos de estados e municípios. A situação exige que se otimizem os  poucos recursos orçamentários disponíveis.
Diante desse cenário complexo, hoje, não tenho dúvida de que a opção pelo Bus Rapid Transit (BRT) em Salvador é a mais viável e a que irá garantir maior mobilidade para as pessoas.
Com tecnologia veicular genuinamente brasileira, o custo de implantação de 1 km de BRT representa 10% do custo de instalação de um metrô (US$ 10 milhões contra US$ 100 milhões) e chega a ser quatro vezes mais baixo do que a de um VLT (US$ 35 milhões).

Além disso, o prazo para implantação do BRT também é de 3 vezes menor que o VLT e de 4 vezes menor que o metrô, além de propiciar muito maior flexibilidade na operação.

Com a proximidade da Copa de 2014 é preciso lembrar que o ritmo médio de execução das obras do BRT é de 30 km por ano, contra 2 km de um metrô subterrâneo e de 5 km por ano se a opção fosse, por exemplo, um monotrilho.

Por outro lado, há uma grande versatilidade dos veículos sobre pneus que não ficam vinculados à existência de trilhos, complexas redes de alimentação de energia e caros sistemas complementares de controle e sinalização, o que reflete diretamente no cálculo da tarifa.

Um ônibus biarticulado equivale ao espaço físico ocupado por quatro automóveis nas ruas, e tem capacidade de transportar 45.000 passageiros por hora (160 pessoas por veículo).

Da mesma forma que um VLT ou metrô, o BRT circulará por vias exclusivas com linhas diretas ou linhas que param em estações pré-determinadas (distintas uma das outras), com redução significativa do tempo de espera e de viagem do passageiro, com conforto e segurança.

Não podemos esperar por mais 10 ou 20 anos por um VLT ou metrô. O BRT é uma solução viável e barata, já implementada e testada em mais de 70 cidades do mundo e funciona muito bem em Curitiba, Bogotá, Istambul, Los Angeles, Amsterdam, Londres, dentre outras.

Obviamente, que é necessário perseguir com veemência a continuidade das obras do metrô e da sua extensão até o bairro de Cajazeiras, mas é preciso, sobretudo, mostrar e conscientizar toda a comunidade para a viabilidade e importância da implantação do sistema BRT em Salvador.

Não temos mais tempo a perder. Os diversos modais, realmente, devem ser complementares e integrados.
              
*Jorge Jambeiro é vereador (PSDB) e presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Serviços Municipais da Câmara Municipal de Salvador.

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