Febre amarela: Por que não vacinar todo mundo?

3/04/2017 - 10:56 |

 

CARLOS GEILSON*

Desde o início do atual surto de febre amarela, já foram notificadas 277 mortes suspeitas de terem sido causadas pela doença. Dessas, 162 foram confirmadas como efetivamente provocadas pela febre amarela. Ao todo, foram notificados 2.104 casos suspeitos, dos quais 492 confirmados.

Estes números estão atualizados até o último dia 24 de março pelo Ministério da Saúde. Hoje, podem ser mais casos, podem ser mais mortes.

A Bahia registrou até agora 22 notificações de casos suspeitos, dos quais 11 foram descartados e 11 permanecem sob investigação.  E há apenas um caso de morte suspeita de ter sido causada pela doença, ainda em investigação.

Mas, todo cuidado é pouco. A febre amarela mata.

O estado mais atingido pela doença é Minas Gerais, com 1.497 casos notificados e 375 já confirmados. Lá, foram confirmados 197 óbitos causados pela febre amarela.

A questão é que Minas Gerais é o estado com a maior área de divisa com a Bahia, nas regiões Sul, Sudeste e Sudoeste da Bahia. Essa situação geográfica nos deixa bastante vulnerável.

A prevenção da febre amarela se faz por duas vertentes: de um lado, o combate aoAedes aegypti e outros mosquitos transmissores do vírus da doença; de outro, a vacinação.

Os estoques de vacina nos municípios baianos que fazem divisa com o território mineiro foram reforçados. E em Salvador, onde foram confirmadas mortes de macacos pela febre amarela, a vacinação foi intensificada, com o objetivo de imunizar 1,7 milhão de pessoas.

No nosso entendimento, porém, isso ainda é pouco. Nós só ficaremos numa situação segura, em relação ao atual surto, quando tivermos toda a população baiana vacinada contra a doença.

Esse é o caminho. E não se diga que faltam recursos, que é caro. Não existe a palavra caro quando se trata de vidas humanas. É preciso enfrentar o problema e salvar vidas. Como está fazendo o Rio de Janeiro, cujo governo, mesmo enfrentando graves problemas financeiros, decidiu vacinar toda a população.

Não há desculpa para não seguirmos esse exemplo.

*Carlos Geilson é deputado estadual (PSDB) e 2º vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia.