Brasil mais olímpico

2/08/2016 - 1:15 |

 

LUIZ GONZAGA BERTELLI*

Nos próximos dias, os holofotes do mundo estarão apontados mais uma vez para o Brasil. São estimados cinco bilhões de espectadores para acompanhar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, nos quais os principais atletas do mundo disputarão 42 modalidades e 306 medalhas. Em recente pesquisa do Ibope, 60% dos brasileiros estão pessimistas quanto aos legados do megaevento. Sem entrar no mérito se os jogos deveriam ou não ser realizados no Brasil, o fato é que, na época em que o Rio de Janeiro foi escolhido como sede da primeira olimpíada da América do Sul, o país vivia uma fase de crescimento econômico que beirava os 7% ao ano e tinha taxas de pleno emprego – o que o fez derrotar, até mesmo, a candidatura da norte-americana Chicago.

A Olimpíada é o maior evento do planeta. Estarão representados na Cidade Maravilhosa 204 países dos cinco continentes. Apesar de nomes conhecidos como o velocista jamaicano Usain Bolt, o nadador norte-americano Michael Phelps, o tenista espanhol Rafael Nadal e o nosso Neymar Junior, boa parte dos mais de 10 mil atletas vem de países sem tradição no esporte e passou por muitas dificuldades para atingir o sonho olímpico de representar sua nação.

O esporte tem um simbolismo mágico de esperança e de superação das dificuldades. Para isso, o atleta treina exaustivamente, com foco na determinação por um resultado. É um exemplo para nossa juventude de disciplina, de vida saudável e de como vencer desafios. O povo brasileiro é sábio e, apesar de todas as dificuldades, vai receber com entusiasmo os visitantes, para essa grande festa de confraternização mundial. Já demos um show de hospitalidade durante a Copa do Mundo e faremos o mesmo, durante os 19 dias de competição no Rio de Janeiro.

Mais uma vez a imagem internacional do país, tão arranhada pelos recentes acontecimentos políticos, está em jogo. Que o povo carioca aproveite os legados que os jogos deixarão na cidade – novos corredores de ônibus, nova linha do metrô, mais leitos para hospedagem, revitalização do centro – e que possa pensar na melhor forma de utilização dos novos espaços esportivos. Não queremos elefantes brancos, mas locais para a formação de atletas, que deem esperança e cidadania para que milhares de jovens encarem a vida de outra forma, afastando-se definitivamente da violência, da marginalidade e do mundo das drogas.

*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).