A morte do jequitibá-rei

29/05/2011 - 16:31 |

 

REDAÇÃO

A polêmica que vinha se arrastando há cinco anos finalmente chegou ao fim: a motosserra falou mais alto, o centenário jequitibá-rei localizado numa área nos fundos da Rua Renato Cabral, em Camacan, foi ao chão sem dó nem piedade e aos defensores da natureza restou apenas o choro no pé do caboclo.

O jequitibá – que alguns dizem ter mais de 300 anos e outros garantem que já lá estava quando Cabral aportou suas naus no Sul da Bahia – foi derrubado pela prefeitura local, supostamente respaldada em laudos do Ibama e do antigo Instituto de Meio Ambiente (Ima) que atestavam que a árvore estava com as raízes deterioradas e ameaçava cair.

O corte do jequitibá pôs fim a uma polêmica que se arrastava há cinco anos. De um lado, os moradores de um grupo de residências próximas que se sentiam ameaçados pela supostamente iminente queda da árvore – esquecidos, é claro, de que quando ali chegaram para construir as casas o jequitibá já reinava soberano no pedaço de mata. De outro, os ambientalistas que defendiam a preservação da árvore e a demolição das casas para a implantação de um parque municipal no local.

A pendenga – que chegou a atrair a atenção, mas não a ação, do Ministério Público, durante as discussões do plano diretor urbano do município – acabou sendo arbitrada pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente. No colegiado, prevaleceu o argumento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente: a árvore já estava mesmo condenada e, além do mais, a prefeitura não dispõe de recursos para construir casas para relocar os moradores da área e muito menos para criar o parque defendido pelos ambientalistas.

Como prêmio de consolação aos ambientalistas, o conselho recomendou que fossem colhidas muitas sementes do velho jequitibá, para plantio em áreas de reflorestamento. Os ambientalistas, no entanto, agora têm nova preocupação: um outro jequitibá e um frondoso araçá-d’água, igualmente ameaçados de sucumbir à ação da motosserra sob a mesma alegação: estão ameaçando as casas que construíram à sua sombra.

Isolados no que restou da mata, sem a proteção de outras árvores, derrubadas ao longo dos anos, o jequitibá e o araçá-d’água, segundo os moradores, podem não resistir a uma ventania mais forte e cair, danificando as casas.

Vem aí mais uma missão para a poderosa motosserra. Quem viver, verá.

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