Rejeição de Temer é maior que a de Dilma, cutuca Jaques Wagner

11/04/2016 - 15:19 |

 

REDAÇÃO

Foto: Fernando Frazão/ABr

O ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jaques Wagner, cutucou o vice-presidente Michel Temer, nesta segunda-feira (11), afirmando que há grande rejeição de um eventual governo liderado pelo peemedebista no caso de a presidente Dilma Rousseff sofrer impeachment. Ele citou dados de uma pesquisa do Datafolha, na qual 60% dos entrevistados querem a renúncia tanto de Dilma como de Temer.

“Para o vice Michel Temer, é claro que ficou a marca de uma espécie de patrocinador do golpe porque a rua diz que ele tem mais rejeição do que a própria presidente e é importante a gente registrar que isso sem ter exercido um dia de governo”, alfinetou o ministro.

O levantamento do Datafolha, feito nos dias 7 e 8 de abril, mostra ainda que 61% se dizem favoráveis ao impeachment da presidente e 33% se dizem contrários a tal processo. Ainda segundo a pesquisa, 58% acham que Michel Temer deve sofrer impeachment. Na pesquisa anterior, feita nos dias 17 e 18 de março, 68% eram favoráveis ao impeachment de Dilma e 27% eram contrários.

A vice-presidência da República afirmou, por meio da assessoria, que não vai se manifestar sobre as declarações de Wagner.

Contagem regressiva - A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff iniciou nesta manhã a última sessão de trabalho, 25 dias depois de ser instalada. A comissão vota ainda nesta segunda-feira o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), favorável ao impedimento.

De acordo com Wagner, o exercício do poder gera desgaste. “A presidente está com mais de cinco anos de exercício de poder e, portanto, tem esse desgaste. Temer, simplesmente pela operação que ele fez agora recentemente, ganhou um desgaste muito grande. Portanto, a rua não está chamando pelo vice-presidente”, acrescentou Wagner, em referência à decisão do PMDB, partido de Temer, de deixar a base de apoio do governo Dilma no dia 29 de março.

Para Wagner, “o movimento pela legalidade no Brasil, que é muito mais amplo do que o PT e do que o próprio governo da presidente”, tem aumentado nas últimas semanas.

“As pessoas despertaram que esse golpe, pior do que o outro que era assumido, esse é um golpe dissimulado. Tenta botar na cadeira da Presidência da República alguém que não teve votos para isso, portanto, é golpe na medida em que não há crime de responsabilidade. Eu creio que o processo de impeachment vai se esticar por muito tempo porque, independentemente de resultados, ainda temos o Supremo Tribunal Federal para fazer a avaliação se é possível ter um afastamento de uma presidente eleita simplesmente pela vontade”, disse o ministro.

Com informações da Agência Brasil

 

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