Bancadas de PT e PSDB tentam impedir recesso parlamentar

3/12/2015 - 16:52 |

 

REDAÇÃO

Foto: Agência Câmara

Para evitar que a crise se arraste por mais tempo, bancadas do PT e do PSDB no Congresso querem impedir o recesso parlamentar de final de ano. Se, por um lado, os tucanos pretendem acelerar o afastamento da presidente do Palácio do Planalto, os petistas correm para tentar abortar o processo de impeachment contra Dilma.

Para o líder do PT na Câmara dos Deputados, Sibá Machado (AC), a comissão do impeachment deve funcionar sem interrupção. “Se isso for solicitado, a gente concorda com o fim do recesso. O problema é que temos que continuar com o Brasil andando, por isso temos que resolver isso o mais rápido possível”, afirmou, ressaltando que o partido vai ajudar a dar quórum nas sessões, que servem para a contagem de prazo no processo.

“É evidente que o recesso tem que ser suspenso, visto que o processo de impeachment foi deflagrado. Isso deve acontecer especificamente para a comissão que vai analisar o assunto, é importante que só esse assunto seja discutido no período de férias”, disse o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio.

DEM indeciso - Já o líder do Democratas, Mendonça Filho (PE), afirmou que ainda não há decisão dos partidos de oposição sobre o funcionamento no recesso. Há desconfiança de que o governo esteja querendo acelerar o trâmite para sufocar o processo de impeachment. Se a estratégia for essa, para se livrar da pressão popular, seremos contra.

O líder PPS, Rubens Bueno (PR), adiantou que o partido vai avaliar o assunto até semana que vem, observando como está o movimento nos estados. “Não sei se trabalhar no recesso ajuda ou atrapalha. Mas se o governo defende, devemos desconfiar e analisar com calma. A mobilização das ruas é importante”, disse depois de uma reunião dos líderes dos partidos de oposição.

Caso não tenha recesso, Bueno também defendeu o funcionamento de “todas as comissões, normalmente”, complementou, quando perguntado sobre o trabalho do Conselho de Ética.

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) defende o funcionamento do Conselho de Ética durante o recesso parlamentar. “Ou funcionam os dois (Comissão do Impeachment e Conselho de Ética) ou não funciona nenhum. Se não for assim, será mais um abuso de autoridade”.

Para Chinaglia, não há fato contra Dilma. “Aqui estamos prontos para o embate e o diálogo político. Estamos convictos que temos maioria para impedir aquilo que, a nosso ver, não é legal. Não gostar do governo é uma coisa. Outra é não respeitar o resultado das urnas”.

A decisão sobre o recesso parlamentar é feita em conjunto pelos presidentes da Câmara e do Senado.

 

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