Audiência discute projetos de transporte público de Salvador

30/05/2011 - 21:19 |

 

REDAÇÃO

A três anos do início da Copa do Mundo 2014, sequer foi escolhido o sistema de transporte público que vai ligar Salvador a Lauro de Freitas – ou seja, o aeroporto ao novo estádio da Fonte Nova – e melhorar a mobilidade urbana da capital, uma das exigências da Fifa às cidades que vão sediar jogos do certame.

Para discutir as vantagens e desvantagens dos dois sistemas cotados – o  BRT (do inglês “bus rapid transit” ou “trânsito rápido de ônibus”) e o VLT (veículo leve sobre trilhos) – a vereadora Andrea Mendonça (DEM) promoveu uma audiência pública no auditório do Edifício Emmerson José, um dos anexos da Câmara Municipal, nesta segunda-feira (30).

O debate resultou, basicamente, em duas conclusões. A primeira delas: o VLT é a melhor alternativa, no momento, para melhorar a mobilidade urbana da cidade. A segunda: a cidade precisa de soluções duradouras.

A defesa do VLT foi sustentada pelo engenheiro civil Luiz Henrique Pereira, que apresentou os resultados de um estudo comparativo realizado por ele em 2009, no qual analisa a viabilidade de instalação dos dois sistemas na Avenida Paralela. O BRT e o VLT foram avaliados em nove quesitos, entre os quais capacidade de transporte, vida útil, custo de implantação, impactos ambientais e prazo de implantação.

Segundo o engenheiro, o VLT perde para o BRT em apenas um dos critérios (o custo) e empata no prazo de construção, que é de cerca de 2 anos e seis meses para ambos. Embora custe até três vezes mais que o valor o necessário para implantar o BRT, o VLT apresenta diversas vantagens em relação aos corredores de ônibus articulados.

A capacidade de transporte é uma delas, observa o especialista. “Hoje, em média, trafegam 18 mil passageiros por hora na Paralela. O BRT só tem capacidade de transportar, no máximo, 20 mil pessoas. Se levarmos em conta o crescimento populacional e o aumento da demanda apenas no período de construção, é um sistema natimorto. O VLT, por outro lado, transporta de 30 mil a 35 mil passageiros por hora”, argumenta.

Na avaliação da vereadora Andrea Mendonça, o transporte sobre trilhos também é muito menos nocivo ao meio ambiente. Os trens são movidos a eletricidade, enquanto os ônibus usam diesel como combustível. “Com o BRT, a emissão de gases poluentes aumentará, gerando alterações no microclima da região e elevação da temperatura. Além disso, teríamos que importar diesel e ficaríamos dependentes do mercado internacional”, analisa.

A implantação do BRT provocaria a liberação de 38,5 toneladas de gás carbônico por mês, de acordo com cálculos do engenheiro Luiz Henrique. “Isto ainda se soma à questão da poluição sonora. Ao contrário dos ônibus, o VLT quase não emite ruídos”, garante.

 

Soluções Duradouras – O planejamento e a execução de políticas públicas de mobilidade urbana não podem ficar circunscritos à Copa do Mundo. Salvador precisa de soluções duradouras, que sejam capazes de oferecer segurança e conforto aos usuários e de atender o crescimento da demanda nas próximas décadas. Essa foi a segunda conclusão da audiência pública. “Por que o transporte coletivo de Salvador é tão precário? Porque o poder público não planeja e nem fiscaliza”, apontou Antônio Luís, coordenador do movimento “Salvador quer VLT”.

Para ele, a qualidade do transporte público da cidade poderia melhorar em até 30% com medidas relativamente simples e que não exigem gastos vultosos. “O transporte público de Salvador é completamente desorganizado. A acessibilidade é muito ruim, há superposição de linhas e os motoristas param em qualquer lugar, atrasando as viagens”, alega.
As críticas de Antônio Luiz foram reforçadas pelo vereador Gilmar Santiago (PT), também presente ao evento. Ele defendeu a criação de um sistema de transporte integrado, “em que seja possível a convivência entre ônibus, metrô, bicicletas e VLT”, e afirmou que o prefeito João Henrique (PP) é submisso aos interesses dos grandes empresários. “Salvador é uma cidade sem planejamento porque quem define as políticas públicas são os grandes grupos econômicos”, disse.

A mesa da sessão também teve a presença de Gilson Vieira, representante do projeto “Ver de trem”, Álvaro Almeida, membro do movimento “Salvador quer VLT”, e Sílvio Pessoa, presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Salvador e Litoral Norte.

TAGS: