Solidariedade deve pedir a renúncia do deputado Luiz Argôlo por envolvimento com doleiro

8/05/2014 - 8:45 |

 

DUDE SANTOS

Luiz Argôlo - Foto: Gabriela Korossy/Agência Câmara

A posição do deputado Luiz Argôlo (SDD) é bastante complicada, e o partido deve pedir a cabeça dele ao final das investigações sobre denúncias que ligam o parlamentar baiano ao doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal, sob acusação de comandar um grande esquema de lavagem de dinheiro, segundo informam lideranças do Solidariedade na Bahia e em Brasília.

Internamente, a posição do partido é de agir energicamente em relação às denúncias contra o deputado. Um parlamentar do SDD informou ao Bahia Toda Hora que as lideranças da legenda aguardam apenas parecer da Corregedoria da Câmara confirmando as irregularidades para defenestrar o deputado de suas hostes.

Denúncias - Novas denúncias contra Luiz Argôlo, divulgadas nesta quinta-feira (8) pelo jornal O Estado de S.Paulo confirmam que o parlamentar pagou uma empresa de transportes na Bahia com verba de gabinete. De acordo com a publicação, Argôlo contratou os serviços da empresa União Brasil Transportes e Serviços, sediada no município de Alagoinhas, distante cerca de 100 quilômetros de Salvador, com R$ 30 mil que teriam sido, posteriormente, declarados como gastos de seu gabinete. O jornal apurou ainda que pelo menos três assessores diretos do parlamentar são sócios dessa empresa.

De acordo com a denúncia, levada à Corregedoria da Casa esta semana, o deputado emitiu seis notas fiscais no valor de R$ 5 mil cada, à Câmara, solicitando reembolso do valor pago à União Brasil, referente ao aluguel de veículos nos anos de 2011 e 2012.

Procurado, o deputado não foi encontrado para falar sobre as denúncias. Assessores do parlamentar, entretanto, informam que Luiz Argôlo está trabalhando na defesa que irá apresentar à Corregedoria na próxima semana. A tendência é que o deputado negue as acusações, alegando se tratar de boataria.

A assessoria do deputado informa que ele assinou notificação da Corregedoria ainda na quarta-feira. Agora será aberto prazo de 45 dias para a investigação, período em que podem ocorrer depoimentos, diligências e coleta de provas. Passada essa fase, o parecer da Corregedoria será entregue à Mesa Diretora da Câmara.

Se for configurada quebra de decoro, com pena que varia de advertência até cassação de mandato, a Mesa pode encaminhar o caso ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para a devida abertura de processo.

Mais problemas – Antecipando-se ao resultado da investigação da Corregedoria, na tarde de quarta-feira (7), o Psol protocolou, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, representação contra o deputado Luiz Argôlo. O documento, assinado pelo presidente da legenda, Luiz Araújo, ressalta que Argôlo cometeu quebra de decoro parlamentar por seu envolvimento com o doleiro Youssef.

Segundo o Psol, os negócios suspeitos incluem transferências bancárias de mais de R$ 200 mil. A representação tem base em reportagens da revista Veja e do jornal Folha de S.Paulo que citam mensagens trocadas entre o doleiro e Argôlo sobre a transferência de R$ 120 mil para a conta do chefe de gabinete do parlamentar, Vanilton Bezerra. De acordo com a Folha, Argôlo também teria recebido do doleiro dois caminhões de gado.

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