Procurador Roberto Gurgel pede ao STF a condenação de 36 réus do mensalão

4/08/2012 - 0:27 |

 

REDAÇÃO

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Em quase cinco horas de argumentação, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta sexta (3) que o mensalão “maculou gravemente a República”. E pediu ao Supremo Tribunal Federal a condenação de 36 dos 38 réus do processo.
 
O procurador apresentou detalhes da Ação Penal 470 que sustentaram a denúncia contra 38 réus perante o Supremo Tribunal Federal. Para Gurgel, a Procuradoria-Geral da República “comprovou as acusações que fez” contra 36 dos acusados.

Ao final da exposição, Gurgel requereu a expedição dos mandados de prisão “cabíveis” assim que o julgamento terminar.

A previsão é de que as sessões sobre o caso avancem até o início de setembro. A expectativa era de que réus eventualmente condenados pudessem aguardar em liberdade a publicação do acórdão da decisão para questioná-lo.

A decisão sobre os mandados de prisão será dos onze ministros do Supremo. Caso o pedido do procurador seja aceito, os réus condenados serão presos logo após a decisão final.
 
Gurgel disse  estar “plenamente convencido” de que as provas produzidas “comprovam a existência do esquema de cooptação de apoio político descrito na denúncia”. “Demonstramos os graves crimes cometidos. Só não produzimos a prova impossível. [...] Provas são suficiente para a condenação dos réus.”
 
O procurador disse que “altas autoridades devem servir de paradigma para a sociedade” e pediu perdas de cargo, sanções patrimoniais (devolução de dinheiro) e cassação de eventuais aposentadorias.
 
Chico Buarque - Ao concluir, citou trecho da música “Vai Passar”, de Chico Buarque: “Dormia, a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações.”
 
Durante todo o tempo da sessão, ele fez a leitura da peça de acusação, sem ser interrompido. Foi ouvido pelos ministros do Supremo e por atentos advogados dos réus.
 
De acordo com a denúncia da Procuradoria, o mensalão foi um esquema ilícito de arrecadação de recursos usados para pagar parlamentares pela aprovação, no Congresso, de matérias de interesse do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
 
“Foi o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção, de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil. Maculou gravemente a República. Foi um sistema de enorme movimentação financeira com objetivo de comprar votos de parlamentares nas matérias importantes para os líderes criminosos”, afirmou, em referência aos acusados do núcleo político do grupo: o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
 
A acusação de Gurgel ocupou toda a sessão no segundo dia do julgamento, que começou às 14h25 e terminou às 19h45 – com intervalo de 30 minutos. Para o procurador, não há provas nos autos para a condenação de dois acusados: o ex-ministro Luiz Gushiken e Antônio Lamas, irmão de outro réu.

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