Tese do alinhamento político é sinal de imaturidade, diz o ex-governador Waldir Pires

7/10/2012 - 0:12 |

 

DUDE SANTOS

Foto: Elza Fiúza/ABr

Ex-governador da Bahia e candidato a vereador em Salvador, Waldir Pires (PT) tem opinião contrária à tese de que é estritamente necessário o alinhamento político entre os governos municipal, estadual e federal para se governar bem uma cidade. Para ele, esse tipo de pensamento, que é a tônica da campanha do candidato do Partido dos Trabalhadores na capital baiana, Nelson Pelegrino, “só funciona na cabeça daquelas pessoas que não estão suficientemente amadurecidas”, conforme ressaltou em entrevista concedida ao jornal O Globo, publicada neste sábado (6), véspera da eleição.

Ao jornal, Waldir diz que este tipo de pensamento remonta ao argumento utilizado pelos governos ditatoriais brasileiros, como forma de intimidação da população para impedir o PMDB – partido que fazia oposição ao regime, então como MDB – de conquistar o poder nas cidades.

Waldir vê a estratégia petista de recorrer sempre ao governador Jaques Wagner e à presidente Dilma Rousseff como aliados dispostos a colaborar apenas com os partidos de sua órbita como “tática de campanha, sem nenhum vínculo com a realidade e presa ao passado”.

O reforço dessa ideia na campanha em Salvador é apontado como o principal fator do crescimento da candidatura do petista que, em última pesquisa realizada na capital, já aparece à frente do principal adversário no pleito deste ano, ACM Neto (DEM).

Mensalão e Lula - Sobre o processo do mensalão julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o político de 86 anos e que já passou por quase todos os cargos que competem a um homem público – deputado estadual, federal, governador e ministro -, defende que sejam apuradas todas as denúncias disponíveis e a devida punição dos culpados, mas crê na inocência de Lula no escândalo.

Esquecido pelo próprio partido nas eleições municipais, Waldir critica o fato de, com a história que possui, ter direito a apenas 20 segundos de aparição na propaganda eleitoral, enquanto neófitos na política possuem de 3 a 4 minutos de janela.

“Há mais de 40 anos eu começo qualquer saudação com ‘minhas amigas e meus amigos’, quando termino isso já comi quatro segundos dos meus 20, sobram 16. Há áreas da população que não sabem que sou candidato. Fora da televisão, o mecanismo hoje é muito complicado. Quem tem muito dinheiro pode fazer uma eleição enorme, quem não tem muito dinheiro, não faz”, lamenta Waldir.

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