Ex-ministro José Dirceu e outros 14 acusados viram réus na Operação Lava Jato

15/09/2015 - 18:07 |

 

REDAÇÃO

José Dirceu - Foto: Arquivo

O juiz Sérgio Moro abriu, nesta terça-feira (15), uma ação penal contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e mais 13 pessoas, por atos de corrupção, referentes às investigações da Operação Pixuleco, uma ramificação da Lava-Jato. Os acusados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. As autoridades cogitam que o grupo movimentou entre R$ 59 milhões e R$ 84 milhões em propinas.

A acusação contra o ex-ministro se baseou nas afirmações do empresário Milton Pascovicht, em depoimento de delação premiada. “Do que os depoimentos prestados pelos criminosos colaboradores, há, em cognição sumária, prova documental do fluxo financeiro, inclusive de pagamentos sub-reptícios efetuados por Milton Pascowitch em favor de José Dirceu e de Fernando Moura  [empresário ligado a Dirceu]”, disse Moro.

Os demais implicados, que possuem relação próxima ao ex-ministro, são Roberto Marques, considerado braço-direito de Dirceu nas ações de corrupção; o irmão e sócio do ex-ministro na JD Consultoria, por onde escoavam as propinas do esquema da Petrobras, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva; e a filha de Dirceu, Camila Ramos de Oliveira e Silva.

Além deles, constam na relação a arquiteta Daniela Leopoldo e Silva Facchini, responsável pela reforma da casa do ex-ministro; os irmãos e lobistas Fernando e Olavo Moura; Milton Pascowitch, cuja delação premiada deu origem à Pixuleco e seu irmão, José Pascowitch; Júlio Camargo (lobista); Cristiano Kok; José Antunes Sobrinho e Gerson Almada, todos da empreiteira Engevix; e o ex-sócio de Dirceu, Júlio César Santos.

Preso - Dirceu está preso na carceragem da PF em Curitiba há um mês, após deflagração da Operação Pixuleco. No início do mês, o ex-ministro e outras 13 pessoas foram indiciados por diversos crimes, incluindo formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Segundo a PF, o ex-ministro está envolvido em diversos atos ilícitos, sendo ele e pessoas próximas beneficiados diretos com o recebimento de valores desviados da Petrobras. As investigações apontam que a JD consultoria, empresa criada por Dirceu foi o agente jurídico que canalizou parte do dinheiro desviado da estatal. Ainda segundo os investigadores, parte dos desvios fora repassada a operadores do sistema financeiro.

A PF apurou ainda que a empresa de José Dirceu movimentou cerca de R$ 34 milhões entre 2009 e 2014, período em que o ex-ministro respondia pelos crimes do Mensalão, sendo julgado e condenado à prisão neste ínterim.

 

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