Dilma chama processo de impeachment de ‘golpe’ e garante que jamais renunciará

22/03/2016 - 16:25 |

 

REDAÇÃO

Dilma discursa para apoiadores no Palácio do Planalto (Foto: Agência Brasil)

A presidente Dilma Rousseff fez, nesta terça-feira (22), novo discurso contra o processo de impeachment em trâmite na Câmara dos Deputados.

Em tom incisivo e, visivelmente, irritada, Dilma direcionou sua fala contra o que chamou de golpe em curso no Brasil. Ela repetiu que não vai renunciar e afirmou que não cometeu “nenhum crime previsto na Constituição e nas leis do país”.

A plateia, formada por apoiadores da presidente, em especial juristas contrários ao impeachment, que participaram de reunião no Palácio do planalto, reagia sempre que a presidente classificava seu possível afastamento como “golpe”, com aplausos e a repetição da frase “não vai ter golpe!”.

Ao citar o processo de impeachment, Dilma disse que não há “crime de responsabilidade” do qual é acusada, e que, na ausência de provas, o afastamento de um presidente da República se torna, “um crime contra a democracia”. Citando a ditadura militar como um processo do qual foi “vítima”, a presidente declarou que vai lutar para não ser “vítima novamente em plena democracia”.

Sem meias palavras - “Não cabem meias palavras nesse caso. O que está em curso é um golpe contra democracia. Eu jamais renunciarei. Aqueles que pedem minha renúncia mostram fragilidade na sua convicção sobre o processo de impeachment, porque, sobretudo, tentam ocultar justamente esse golpe contra a democracia, e eu não compactuarei com isso. Por isso, não renuncio em hipótese alguma”, esbravejou.

Após ouvir manifestações de juristas contrários ao seu impeachment, a presidente disse que jamais imaginaria voltar ao momento do passado em que Leonel Brizola liderou movimentos pela legalidade no país – durante a tentativa da oposição de impedir que o vice-presidente João Goulart assumisse a Presidência após a renúncia de Jânio Quadros.

Dilma afirmou estar se dirigindo a seus oposicionistas com a “segurança de ter atuado desde o início do seu mandato para combater de forma enérgica e continuada a corrupção que sempre afligiu o Brasil”.

Sem citar nomes, boa parte do discurso da presidente foi direcionado ao Supremo Tribunal Federal, quando fala que a Justiça precisa ser imparcial no julgamento.

Ela também voltou a atacar o juiz federal Sérgio Moro, pelo vazamento das conversas entre ela e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, grampeadas pela Polícia Federal, as quais o magistrado considerou de interesse público – embora a decisão divida a opinião dos juristas.

 

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