DEM depende da reconstrução de sua unidade, diz Jorge Khoury

31/01/2011 - 21:08 |

 

LENILDE PACHECO

Desde o final de 2010, o DEM vive a sua fase mais crítica, com redução significativa de seus quadros e falta da unidade interna, processo ainda mais desgastante que a lipoaspiração feita nas urnas, em outubro. Dos 65 deputados federais eleitos em 2006, a legenda passou para 43, em 2010. O baiano Jorge Khoury é um dos que ficou sem reeleição. Ex-prefeito de Juazeiro, ex-secretário de Estado da Indústria e Comércio; e do Meio-Ambiente, Khoury encerra nesta segunda feira (31) um ciclo de cinco mandatos (dois dos quais licenciado para exercer o cargo executivo) na Câmara dos Deputados.  Ele acompanha a eleição da liderança na Câmara e a guerra na sucessão do presidente nacional da legenda, em março.  O ex-senador Marco Maciel (PE) é o nome da preferência de Jorge Bornhausen (SC) para o comando do DEM. O atual presidente, Rodrigo Maia, está em campanha por uma candidatura que se imponha à reação da velha guarda. No páreo, o ex-deputado José Carlos Aleluia (BA), ACM Neto (BA) e Ronaldo Caiado (GO). “A sobrevivência do DEM está na reconstrução da sua unidade. Só assim voltará a ser influente”, sentencia Khoury. Leia os trechos mais importantes da entrevista do deputado ao Bahia Toda Hora.

Quais são as melhores estratégias para o fortalecimento do DEM?

Passa pela reformulação do partido, o que pode acontecer com a convenção.  É evidente que todos sabem que vamos para a convenção bastante divididos. Se até o dia 15 de março o partido tiver capacidade de se entender e marchar de maneira unificada poderá ter uma convenção que oriente o renascimento do partido. E inicie um trabalho firme em relação a 2012, no Brasil inteiro, elegendo o máximo de prefeitos possível, visando fortalecer a candidatura de governo dois anos depois. Acho que é o melhor caminho para o partido.

E na Bahia?

A Bahia e demais estados do Nordeste que tem dificuldade em às receitas próprias dos municípios. A grande dependência em relação ao governo do Estado faz com que  os partidos de oposição tenham dificuldade para manter os prefeitos. Há uma tendência de os prefeitos  migrarem para compor com o governo. É a falta total de sobrevivência. O prefeito precisa ter a mínima condição de governabilidade. Neste cenário, éÉ muito difícil que os prefeitos sejam o vetor para uma virada numa disputa de eleições estaduais. No entanto,  é impossível a vitória de qualquer partido de oposição no Estado, independente de uma grande base de apoio dos prefeitos. Ter a maioria dos prefeitos não é garantia de ganhar a eleição. Quando Waldir Pires ganhou as eleições, o partido do governo (João Durval) tinha a maioria absoluta das prefeituras do Estado. Resumindo, é importante para o partido ter bons quadros municipais e deter a maioria das prefeituras, mas só isso não é suficiente.

Quais foram os erros do DEM?

O DEM sempre foi um partido forte. Tinha uma liderança bastante explícita do senador Antonio Carlos Magalhães e no momento em que ocorreu a derrota de quatro anos atrás. Em seguida, o desaparecimento da liderança maior desse grupo. E que não era liderança só do DEM. Era também do PP, PR do PTB. O que ocorreu foi que na falta de uma liderança forte levou ao esfacelamento do grupo político, com reflexo nas legendas que sempre foram aliadas e acabaram migrando para a base de sustentação do governo petista (de Jaques Wagner). Então, o fato de o partido não estar no poder, fez com que o grupo que resistiu e permaneceu na oposição passasse a ser um segmento menor.

Quais são novos caminhos para o DEM, fusão por exemplo?

Eu acho que o melhor caminho seria construir a unidade do partido. Não haverá êxito sem unidade. Havendo unidade e mantendo o que ele tem hoje: dois governadores, cinco vice-governadores, a legenda está entre as maiores no Senado, detém a  quarta bancada na Câmara, além dos deputados estaduais, vereadores e prefeitos. A unidade pode fazer com ele a partir de  fusão ou de  alianças estratégicas em cada Estado, possa voltar a ser um definidor de rumos, como aconteceu na época da eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Como na eleição de Fernando Henrique Cardoso. Isso mostra que o partido unido tem condição de ser influente.

O senhor está disposto a colaborar para a construção dessa unidade?

Comecei a fazer política em Juazeiro, o meu município, no PDS. Eu nunca troquei de partido. O meu partido trocou de nome. Se transformou em  PFL e Democrata. Dentro das circunstâncias, em cada nova situação, eu estava junto com ele. E farei o que for possível para que o partido continue forte e unido.

Quais são os seus planos?

Os trabalhos da Secretaria do Meio Ambiente e nas comissões da Câmara que tratam do Desenvolvimento sustentável . Não há intervenção no planeta que não cause dano ambiental. Nos cabe fazê-lo da forma mais consistente possível, reconhecendo o dano e buscando minimizá-lo, compensá-lo de forma que traga o menor  prejuízo à vida de todos nós.  Tenho sete anos de experiência neste setor e creio que posso prestar serviço à sociedade brasileira, no setor público ou privado.

E quais são os seus planos políticos para 2012? Candidatar-se à Prefeitura de Juazeiro é uma alternativa?

Haverá muito tempo ainda para definir a disputa do próximo ano. Não está em meus planos a construção da candidatura a prefeito de Juazeiro.  Como político, não vou dizer que dessa água não bebo. Mas hoje não tenho planos neste sentido.

Foto: Bahia Toda Hora