Brasil vive retrocesso em relação aos direitos humanos, diz Lídice no Dia da Consciência Negra

20/11/2014 - 18:07 |

 

REDAÇÃO

Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) disse que o país parece enfrentar um retrocesso em relação aos direitos humanos. Ela lembrou casos de injúria racial no futebol, além de intolerância contra religiões de matriz africana e assassinatos de negros, durante solenidade no Senado para comemorar o dia dedicado à Consciência Negra, nesta quinta-feira (20).

“Persiste em nosso país as consequências trágicas do mais longo período de escravidão da história moderna”, afirmou a senadora, ressaltando a importância de colocar para funcionar a CPI do Senado que vai investigar o genocídio de jovens negros.

Durante a solenidade, sete personalidades receberam, do Senado, a Comenda Senador Abdias Nascimento. A honraria, criada para agraciar personalidades que se destacaram na proteção e na promoção da cultura afro-brasileira foi entregue aos músicos Gilberto Gil e Martinho da Vila; ao vereador de Salvador Sílvio Humberto; ao ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ); à militante do movimento negro Edna Almeida Lourenço, conhecida como Ekdje Edna de Oiyá; ao ator Milton Gonçalves; e, in memoriam, ao pescador Francisco José do Nascimento (1839-1914), conhecido como o Dragão do Mar, por sua luta abolicionista no Ceará.

Na solenidade, Martinho da Vila cantou a música Kizomba, Festa da Raça e revelou um desejo: “sonho com o dia em que não haverá a necessidade de movimento negro no Brasil”.

Os avanços conseguidos no Parlamento de combate ao preconceito racial, como o Estatuto da Igualdade Racial, foram destacados pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Apesar disso, o senador reconheceu que ainda há muitos problemas no mercado de trabalho e na área de segurança a serem superados.

“Apelo a todos, às autoridades, para unir forças para acabar com o genocídio da juventude negra. Morrem quase três vezes mais negros do que não negros. Chega! Não podemos permitir que o chicote de ontem seja a bala de hoje”, frisou o parlamentar.

Gilberto Gil foi representado por Grace Passos Stefanini, sua assessora e ex-chefe de gabinete no Ministério da Cultura. Milton Gonçalves por Eloi Ferreira de Araújo, ministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Francisco José do Nascimento, único já falecido entre os condecorados, foi representado por Paulo Victor Gomes Feitosa, secretário-adjunto estadual de Cultura do Ceará.

Conheça os sete homenageados:

Benedito Gonçalves Nasceu em 30 de janeiro de 1954, no Rio de Janeiro (RJ). É formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e se especializou em direito processual civil. Desembargador federal desde 1988, assumiu o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça em 2008.

Gilberto Gil – Gilberto Passos Gil Moreira nasceu em 26 de junho de 1942, em Salvador (BA). É compositor, cantor, multi-instrumentalista, político, escritor, ambientalista e empresário. Já recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Grammy Latino.  Foi também ministro da Cultura.

Martinho da Vila – Martinho José Ferreira nasceu em 12 de fevereiro de 1938 em Duas Barras (RJ). Foi o primeiro sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas. É presidente de honra da escola de samba Vila Isabel.

Edna Almeida Lourenço – Natural de Campinas (SP), onde nasceu em 13 de novembro de 1951, Edna é conhecida como Ekdje Edna de Oiyá. É militante do movimento negro e fundadora da Coordenação do Grupo Força da Raça.

Milton Gonçalves – O ator e escritor nasceu em Monte Santo de Minas (MG), em 9 de dezembro de 1933. Com mais de 70 filmes e 80 novelas no currículo, é também conhecido militante do movimento negro.

Silvio Humberto dos Passos Cunha – Nasceu em Salvador (BA), onde é vereador pelo PSB. É doutor em economia pela Universidade Federal de Campinas (USP), professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) e fundador do Instituto Cultural Steve Biko, que atua na valorização da comunidade negra.

Francisco José do Nascimento (in memoriam) – Francisco José do Nascimento (Canoa Quebrada, Aracati, 15 de Abril de 1839 — Fortaleza, 5 de Março de 1914), é considerado um expoente na luta abolicionista. O “Dragão do Mar”, como ficou conhecido, ajudou na libertação de escravos na então província do Ceará, em 25 de março de 1884, quatro anos antes da abolição da escravatura no país.

 

Com informações da Agência Brasil e Agência Senado de Notícias.

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