MPF quer suspender direitos políticos de Cunha por dez anos

13/06/2016 - 19:29 |

 

REDAÇÃO

O Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Ação do Ministério Público Federal no Paraná, que controla a Operação Lava Jato, pede a suspensão dos direitos políticos do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por dez anos, pelo crime de improbidade administrativa e pela participação no esquema de corrupção na Diretoria Internacional da Petrobras.

O MPF paranaense inclui ainda na ação a mulher do deputado, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada, o empresário Idalécio Oliveira e o operador das propinas da estatal João Henriques.

Na ação, os procuradores pedem ainda que Cunha seja condenado à devolução de R$ 20 milhões, montante referente a valores movimentados em contas não declaradas no exterior. Se condenada, a mulher de Cunha deverá devolver o equivalente R$ 4,4 milhões por ter sido beneficiada por valores depositados em uma das contas.

De acordo com os procuradores que integram a força-tarefa, Cunha se valeu da posição de deputado e presidente da Casa Legislativa para obter vantagens ilícitas do esquema montado na Petrobras, “utilizando a atividade parlamentar para atender interesses espúrios”.

Propina - Dizem ainda os procuradores que o deputado afastado recebeu US$ 1,5 milhão referentes à compra de 50% dos direitos de exploração de um campo de petróleo em Benin, na África, pela Petrobras, em negócio avaliado em US$ 34,5 milhões, dos quais US$ 10 milhões viraram propina. Para os integrantes da força-tarefa, “há fortes indícios de enriquecimento ilícito do parlamentar”.

“A propina foi recebida no exterior em contas titularizadas por trusts e em nome de empresas offshore controladas pelo parlamentar. A negociação, além de ter sido danosa ao patrimônio da estatal, foi concluída com o intuito principal de distribuir vantagens indevidas aos demais integrantes do esquema criminoso”, diz o MPF.

 

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