General Gonçalves Dias perde comando das tropas federais na Bahia

9/02/2012 - 0:32 |

 

JOSÉ CARLOS TEIXEIRA

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O general Gonçalves Dias, comandante da 6ª Região Militar, não está mais no comando das forças encarregadas de garantir a segurança no Estado durante a greve da Polícia Militar da Bahia.

Ele foi substituído nesta quarta-feira (8), segundo informou ao Bahia Toda Hora um coronel da PM. A mesma fonte disse que o comando da operação agora esá com o general Odilson Sampaio Benzi, comandante militar do Nordeste, que está em Salvador desde o início da manhã.

Gonçalves Dias perdeu o cargo por determinação da própria presidente Dilma Rousseff, depois que viu a foto do general abraçado a um grevista e chorando, emocionado, após receber um bolo e cumprimentos pelo seu aniversário, na terça-feira (7).

A notícia da substituição só vazou para a imprensa no final da tarde, mas desde cedo os sinais de que algo havia mudado ficaram evidentes: logo no início da manhã ocorreu uma intensa movimentação de tropas no Centro Administrativo da Bahia, onde está localizada a Assembleia Legislativa da Bahia, ocupada pelos grevistas há nove dias e sitiada pelos militares desde segunda-feira (6).

O número de homens do Exército que fazem um cordão de isolamento em torno do prédio da Assembleia dobrou e bloqueiam vias do Centro Administrativo passou de 1.038, na véspera, para 1.400 nesta quarta-feira. A Força Nacional de Segurança também aumentou seu contingente de 20 para 50 homens.

Helicópteros militares voltaram a fazer voos rasantes sobre a área, provocando manifestações de protesto do grupo de grevistas e familiares dos policiais que estão na Assembleia e que estão acampados num gramado em frente desde segunda-feira, quando o cerco começou.

Além disso, o Exército voltou a cortar a água e a energia elétrica do prédio da Assembleia, bem como a entrada de medicamentos e alimentos, que havia sido liberada na terça-feira, voltou a ser proibida.

Todas essas mudanças fizerem aumentar a tensão na área da Assembleia Legislativa, com os grevistas temendo uma eventual invasão do prédio pelas forças federais.

Bolo de aniversário – A fotografia do general Gonçalves Dias abraçado ao grevista após receber o bolo de aniversário incomodou o Exército também, pois passou a impressão de que ele estava confraternizando com os policiais em greve. Mais grave, porém, foram as declarações do general, que disse andar sem colete à prova de balas porque tinha certeza de que a situação seria resolvida de forma pacífica.

O entendimento é que, ao dizer isso, o general acabou fortalecendo os grevistas nas negociações, pois passou a ideia de que não estava nos planos do Exército invadir o prédio da Assembleia – o que explica, de alguma forma, a movimentação de tropas e a exibição de força demonstrada ao longo desta quarta-feira.

Para mostrar que não há qualquer possibilidade de confraternização, muito pelo contrário, a movimentação das tropas federais passou a ideia de que a invasão do prédio estava sendo preparada.

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