A caneta de João Henrique não me retira daqui, avisa Edvaldo

1/03/2011 - 16:56 |

 

LENILDE PACHECO

Foto: Arquivo

A antecipação do debate sobre a sucessão municipal prejudica os resultados da gestão na Prefeitura de Salvador, avalia o vice-prefeito Edvaldo Brito (PTB). Reconhecido como um dos mais importantes tributaristas do País, ele está à frente da Coordenação do Carnaval e acompanha a movimentação que conduzirá a uma nova fase administrativa, após o Carnaval, com o ingresso do prefeito João Henrique no PP. No momento em que os novos aliados desembarcam no Palácio Thomé de Souza, o vice-prefeito faz um balanço do seu trabalho, durante entrevista exclusiva ao Bahia Toda Hora: “Não fui pusilânime, negligente, nem inútil. Chegamos ao mandato conduzidos pelo povo. A caneta de João Henrique não me retira daqui”.  A seguir, os trechos mais importantes da entrevista:

Bahia Toda Hora – Qual é a avaliação do senhor sobre a gestão municipal? 

Edvaldo Brito – O momento de crise vivido pela Prefeitura de Salvador não comporta discussão sobre a sucessão municipal. Abrir agora este debate é um desserviço à administração municipal e, por consequência, aos interesses maiores da população. O momento é de trabalhar. Quem ingressa hoje no debate político eleitoral será avaliado, nas eleições, por seu desempenho como administrador. A população paga seus impostos e, na hora da política, avalia os administradores. O povo sabe julgar; sabe identificar quem respeitou o seu direito à uma administração compatível com a dignidade humana.

BTH – A crise do município de Salvador possui várias vertentes. Um delas tem origem na questão financeira, área em que o senhor é mestre. Como avalia este cenário?

EB –   A minha parte, eu fiz. Não tenho porque expiar culpa. Ajudei no processo de reforma administrativa, redigindo o projeto de lei. A principal diretriz era a redução das despesas de custeio para que se pudesse ter receitas para investimento. Por isso, foi proposta a redução de 18 para 11 secretarias, eliminando-se com isso a estrutura de sete gabinetes. Outra iniciativa importante foi de restrição do aluguel de veículos e a racionalização do uso de espaços físicos alugados. Percorri prédios na Praça da Sé, na Ladeira de São Bento, por exemplo, para desativar o uso de áreas alugadas. Houve reacomodação de servidores e novos espaços para evitar o elevado custo de aluguéis. Procuramos fazer a utilização de instalações já existentes para diminuir despesas. Propusemos à Câmara um modelo de tributação solidária e os vereadores nos honraram com a aprovação unânime desta medida. Tudo isso para sanear as finanças do município.

BTH – O senhor lamenta o que ocorreu depois? O Tribunal de Contas dos Municípios tem feito sucessivos alertas para os gastos excessivos com mão de obra terceirizada, por exemplo. Reduzir o número de secretarias e, depois, contratar via terceirizada, é o mesmo que tirar com uma mão e colocar com a outra.

EB –   Lamento, sim. A crise financeira decorre do modelo de gestão. É preciso equacionar a questão da dívida ativa e cortar gastos, como foi previsto na reforma. É assim que se faz economia na máquina pública. Prometer economia com o corte da gasolina dos secretários é demagogia.

BTH – Uma nova reforma está a caminho, com o ingresso do prefeito João Henrique a uma nova legenda, o Partido Progressista…

EB – Eu não acredito em Sassá Mutema (personagem de Lima Duarte, em O Salvador da Pátria). Aliás, em 2008, quando João Henrique levantou a minha mão e disse que seríamos dois prefeitos em um só, eu confiei que seria assim. E, desde então, procurei ajudar a gestão municipal para atender à expectativa do povo que nos elegeu. Ajudei sem competição, sem queda de braço. Nas recentes negociações com servidores, consegui mostrar que as pretensões salariais devem ser ajustadas às possibilidades do município, num processo que teve o acompanhamento da Sefaz e Secretaria da Administração. Fizemos a mediação entre o interesse público e dos servidores. Sem jamais extrapolar limites.

BTH – O senhor presta conta do trabalho executado, a fim de frear as intrigas palacianas …

EB – Não é o caso para confronto, nem desafio. Mas trabalhei com dedicação para honrar a nossa eleição. Não fui pusilânime, negligente, nem inútil. Chegamos ao mandato conduzidos pelo povo. E somente o povo me retira daqui. A caneta de João Henrique não me retira daqui.

BTH – Qual é a hora de tratar da sucessão municipal?

EB – Em abril de 2012, quando houver a desincompatibilização de quem ocupa cargo no Executivo. Até lá, é preciso trabalhar.

Data: 01.03.2011

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